Os conceitos de soberania alimentar e segurança alimentar e nutricional são relativamente novos em nosso cotidiano. Com mais de 30 milhões de brasileiros enfrentando a fome, é fundamental que os debates sobre esses temas se tornem parte do nosso dia a dia.
Neste texto, vamos explorar o significado de cada conceito e seu impacto na realidade atual.
Soberania alimentar
Definido em 2001 durante o Fórum Mundial sobre Soberania Alimentar em Cuba, o termo “soberania alimentar” representa o direito dos povos de definirem suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos. Essa abordagem garante:
- Valorização da produção local: Prioriza a pequena e média produção e respeita a diversidade cultural.
- Direito à alimentação: Assegura que toda a população tenha acesso a alimentos.
Desafios da Soberania Alimentar
A soberania alimentar busca enfrentar desafios modernos, como mudanças climáticas e a fome. Para isso, visa:
- Acesso a alimentos saudáveis: Garantir que todos tenham acesso a alimentos que sejam saudáveis, sustentáveis e culturalmente apropriados.
- Resiliência dos sistemas alimentares: Tornar os sistemas alimentares mais resistentes a choques climáticos.
- Autonomia das comunidades: Permitir que as comunidades agricultoras produzam alimentos de acordo com suas necessidades e tradições.
O Papel da agroecologia

A agroecologia desempenha um papel crucial na soberania alimentar, pois é baseada na sustentabilidade e incorpora questões ecológicas, éticas, sociais e econômicas. Além disso, a agricultura familiar se destaca, pois esses produtores abastecem os mercados locais e produzem alimentos seguindo os princípios da agroecologia.
Segurança Alimentar e Nutricional
Sobre a “segurança alimentar e nutricional”, podemos pensar que o conceito desta faz parte do grande guarda-chuva que é a soberania alimentar.
A segurança alimentar e nutricional baseia-se em práticas alimentares que promovem saúde e respeitam a diversidade cultural, assegurando sustentabilidade em várias dimensões.
Aparecendo em debates sobre alimentação desde os anos 1970, sobre diferentes títulos e diferentes conceituações, o termo foi delimitado da forma que o conhecemos hoje durante a Conferência Mundial da Alimentação de Roma em 1996. Dessa forma, vemos que “[…] a segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis” (II Conferência Nacional de SAN, 2004; LOSAN, 2006).
Conforme o relatório da FAO, O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (2024), os dados de 2023 mostram que:
- 2,33 bilhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar moderada ou severa.
- 733 milhões de pessoas estavam em situação de fome.
Níveis de insegurança alimentar

A insegurança alimentar se divide em três níveis, determinados por diferentes aspectos:
- Insegurança alimentar leve: Incerteza sobre a capacidade de conseguir comida.
- Insegurança alimentar moderada: Qualidade dos alimentos comprometida, com quantidade reduzida e/ou refeições não realizadas.
- Insegurança alimentar grave: Ausência de consumo de alimentos durante um dia inteiro ou mais.
Os fatores que influenciam os níveis de insegurança alimentar incluem a disponibilidade, que se refere à produção, importação e armazenamento de alimentos, a estabilidade, que considera os aspectos transitórios da insegurança alimentar, e o acesso, que aborda as barreiras físicas ou econômicas que dificultam o acesso a alimentos. Além disso, o consumo é um fator crítico, pois envolve as necessidades nutricionais e as preferências alimentares de cada indivíduo e comunidade.
Compreender os conceitos de soberania e segurança alimentar e nutricional é essencial para enfrentar os desafios que afetam a alimentação no Brasil e no mundo.
À medida que a fome continua a ser um problema significativo, é crucial que promovamos discussões e ações que garantam não apenas o acesso a alimentos, mas também a capacidade das comunidades de produzir de forma sustentável e culturalmente apropriada.
Fomentar a soberania alimentar e assegurar a segurança alimentar e nutricional são passos fundamentais para construir um futuro mais justo e saudável para todos.